
QUEM SOU EU?
Nasci e me criei no Bairro São Benedito, periferia de Juiz de Fora, aos 12 anos mudei para o Bairro São Sebastião, coladinho ao Bairro Santa Cândida, tudo na perifa. Cria da escola pública do bairro, Escola Estadual Professor Cândido Motta Filho, cursei o antigo ensino médio em escolas particulares, com bolsa parcial, pois minha mãe entendeu que seria melhor para o meu futuro. Ainda que ela não soubesse exatamente o porquê e para quê, ela SEMPRE disse que eu deveria estudar.
Sou filha de operários, minha mãe da confecção têxtil e meu pai do papelão e embalagens. Minha mãe, que sempre trabalhou desde criança para cuidar dos seus irmãos mais novos, me incentivou bem cedo a ir trabalhar. Foi assim que aos 12 comecei a arrematar roupas para as fábricas de jeans próximas a minha casa. Aos 14 anos, fui guarda mirim e, hoje, aos 38, sou advogada, formada há 8 anos pelo Instituto Vianna Júnior.
Fazer faculdade tem uma importância grande para pessoas da minha origem, fui a primeira da família com “diploma de faculdade”. Ingressei no ensino superior privado aos 23 anos de idade. Eu insistia em prestar vestibular para estudar em uma universidade pública federal. Infelizmente, na época, percebi que, via de regra, as pessoas que entravam nas federais não trabalhavam oito horas por dia, não comiam “de marmita” e, tampouco, lutavam contra o sono em uma sala de aula do pré-vestibular noturno. Embora, de lá para cá, o cenário tenha mudado um pouco, há um caminho ainda grande para inserção efetiva do/a jovem trabalhador/a nas universidades públicas do nosso país.
Dizem que minhas características mais evidentes são o humor e a alegria. De fato, são esses atributos que vêm me conduzindo pela vida. Especialmente nesses tempos sombrios pelos quais passamos, meu humor e minha alegria têm me ajudado a suportar a negação da ciência e do saber, a necropolítica - que extermina os iguais a mim, e o inegável desapreço pela dignidade humana que temos vivenciado em nosso país.
Avalio que os oito últimos anos foram importantíssimos em minha vida, pois neles eu aprendi sobre o que é ser uma mulher ocupando espaços que nos dizem o tempo todo que não devemos ocupar. O racismo e o machismo deixaram de ser a banda passando, porque eu comecei a compreender que mulheres, em especial as mulheres pretas que me antecederam lutaram, foram presas, mortas para eu estar aqui hoje. Ao perceber que eu não poderia mais ser uma mera “expectadora indignada” do racismo e do machismo, compreendi que é preciso sim promover debates e, consequentemente, se posicionar.
Nesse sentido, uma das maiores lições que eu tenho aprendido todos os dias é a de que luta e afeto caminham de mãos dadas. Como diz Bell Hooks, “Quando nos amamos, sabemos que é preciso ir além da sobrevivência. É preciso criar condições para viver plenamente”*. Venho aprendendo muito sobre luta, amor, respeito, solidariedade. E nessa jornada de redescoberta, reposicionamento, (des)construção, o amor, a alegria, o humor têm sido peças-chave para seguir na luta. Mais que esses sentimentos, o compartilhamento deles, sobretudo, com mulheres maravilhosas que têm me ensinado, me fortalecido. É o afeto, inerente à luta, que me faz crescer, florescer, expandir. É pelo amor e afeto, negados aos corpos negros, que eu resisto!
*Vivendo de amor – bell hooks. Disponível em: https://www.geledes.org.br/vivendo-de-amor/
Advogada, Pós-graduanda em direito Penal e Processual Penal pela Universidade Metropolitana e em Relações de Gênero e Sexualidades pela UFJF, militante pelos direitos das mulheres.
A CAMPANHA É LANÇADA
27 de setembro de 2020
“Vereadora para quê?” Não é fácil se candidatar não, minha gente! O sistema eleitoral é feito para que pessoas como nós, pretos e pretas pobres não disputem esse espaço de poder. O nosso povo está sofrendo com a retirada de direitos trabalhistas, o sucateamento do SUS, o desmonte da educação, porque os parlamentares/empresários legislam com objetivo de aumentar seus lucros às custas do empobrecimento do trabalhador. Diante da ausência de representatividade é necessário e urgente ocupar esses espaços de decisão para pensar a cidade a partir das nossas vivências e necessidades, por quem enfrenta cotidianamente os problemas na saúde pública, no transporte, na educação da cidade de Juiz de Fora. Esse grande desafio começa no voto e vamos seguir juntos e juntas construindo a cidade que queremos!




OS EIXOS
O transporte público de Juiz de Fora é de péssima qualidade, ônibus sucateados, itinerários que não favorecem ao trabalhador e uma passagem de ônibus extremamente cara, aspectos que se mantem mesmo após recomendação feita pelos relatores da CPI dos ônibus.
A orientação da Comissão Parlamentar de Inquérito foi a de que uma nova licitação seja realizada, assim como seja realizada a manutenção adequada dos veículos e seja garantido proteção aos trabalhadores do transporte público urbano.
Ao contrário disso o que vivenciamos é um serviço cada dia mais precário em todos os aspectos, especialmente em relação aos direitos trabalhistas de motoristas e cobradores.
O que pretendemos é fiscalizar esses contratos, a fim de garantir aos rodoviários seus direitos de trabalhadores, tornar economicamente acessível o transporte público às famílias de baixa renda que não têm acesso à cidade, porque residem em territórios distantes do centro, locais com pouco ou nenhum acesso ao transporte público coletivo.
TRABALHO E RENDA
Nosso país passa por um momento delicado com avanço da ultradireita, do autoritarismo e do conservadorismo. A pandemia do COVID-19, a eleição de Bolsonaro e Mourão, a retirada de direitos dos trabalhadores, ataques diretos a democracia e aos direitos e garantias fundamentais, assim como às minorias historicamente oprimidas como negros, indígenas, LGBTQI+ e mulheres é a conjuntura do Brasil e requer de nós coragem.
Em Juiz de Fora não é diferente. A recente greve dos rodoviários ressaltou a situação precária vivida pelos cobradores e motoristas, assim como a progressiva desvalorização do magistério municipal, dos profissionais da saúde e a inabilidade do poder público em pensar políticas públicas, emergenciais e permanentes para a classe trabalhadora.
A expectativa é a de que o desemprego aumente no período pós-pandemia e como já é de conhecimento de todos, quem mais sofrerá somos nós, trabalhadores e trabalhadoras periféricos e, especialmente, mulheres negras que historicamente dedicam-se aos serviços de cuidados (babás, domésticas, cuidadoras de idosos).
O desemprego é um dos desafios que enfrentaremos, por isso precisamos resistir, precisamos ser valentes, precisamos cuidar uns dos outros, precisamos pensar juntos políticas públicas que promovam a proteção e o bem-estar da população que produz a riqueza e sustenta a base dessa pirâmide, ou seja, precisamos proteger o trabalhador e a trabalhadora.
Por isso, temos acordo com os apontamentos feitos na Agenda Marielle Franco, no sentido de:
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O município deve investir em políticas de desenvolvimento da agricultura familiar e criar condições adequadas de acesso a estes programas por pequenos agricultores;
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Devemos desenvolver programa, na esfera municipal, de transferência de renda que devem ser ampliados e qualificados, no intuito de alcançar o maior número possível de pessoas em situação de vulnerabilidade;
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Construir uma Política Pública Municipal de efetivação da Economia Solidária: seria um avanço para um novo modelo de economia com uma maior participação de mulheres negras e populações de favelas e periferias.
(Fonte: https://www.agendamarielle.com/)
EDUCAÇÃO
A pauta racial no campo da educação recebe pouca ou nenhuma atenção, em um país que tem a sua história marcada pela escravidão do povo negro e suas instituições fundadas no racismo. Com avanço da direita ultrarradical e conservadora, o mito da democracia racial vem sendo por eles ainda mais disseminado e, não raras vezes, o debate sobre racismo afastado de espaços de formação do sujeito, como a escola.
Por isso é imprescindível que a educação antirracista traduzida em contato com obras de autores negros, ensino da história da África e rodas de conversas constituam, permanentemente, o currículo da educação básica e, inclusive, a formação dos professores.
No contexto do munícipio de Juiz de Fora, onde a desigualdade entre pretos e brancos é a terceira maior do país, é essencial promover debates abertos com a comunidade escolar e com o Fórum Municipal de Educação, a fim de que seja feita uma análise sobre a situação da evasão e abandono escolar por estudantes negros, assim como ampliar a formação dos profissionais da educação para uma educação antirracista e inclusiva, para que desse espaço de discussão saiam proposições para a manutenção dos alunos pretos nas escolas municipais, alterações nas práticas de ensino, integração comunidade-escola e incentivo a projetos que combatam o racismo amplamente. Só assim, garantiremos a distribuição da educação de forma igualitária, conforme o previsto na Constituição Federal.
Aqui, também, nos filiamos ao que pretende as nossas agendas de compromissos assinadas publicamente:
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O fortalecimento de um modelo de planejamento pedagógico coletivo e do sistema de eleição direta para cargos de direção de escolas municipais, com a garantia da autonomia pedagógica de professores e professoras, pois é importante para o fortalecimento do sistema educacional;
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Luta pela garantia do plano de cargos e carreiras do magistério municipal e a busca pela implantação do concurso público para diminuir o rodízio de professores nas escolas, resultado da elevada taxa de contratos;
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Oferecimento de equipe multidisciplinar (fonoaudióloga, psicopedagoga, psicólogas) para atender crianças especiais e com dificuldades de aprendizagem em toda a rede municipal;
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Ofertar oportunidades para ampliação da cultura e do zelo ao patrimônio cultural da cidade;
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Priorização de um plano municipal para a primeira infância, com atenção à saúde e proteção dos bebês e crianças e ampliação de vagas em creches e pré-escolas para assegurar o desenvolvimento pleno dos pequenos enquanto as mães e responsáveis se qualificam e podem gerar renda para o sustento da família;
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Ampliar o Programa Municipal Passe Fácil Estudante, a fim de garantir aos estudantes da rede acesso a cidade e aos eventos culturais.
AGENDA DE COMPROMISSOS ASSINADA
Nossa candidatura assinou a Agenda Marielle Franco, um conjunto de compromissos com práticas e pautas antirracistas, feministas e populares a partir do legado da vereadora assassinada junto com seu motorista em 14.03.2018 e na mesma linha, assinamos a agenda do Coletivo aBertha que luta em defesa dos direitos das mulheres.
JUVENTUDE
Nossa mandata tem o compromisso de doar 10% do salário para projetos culturais de jovens das Periferias, o que se revela de extrema importância, uma vez que a juventude, especialmente jovens negros, dessas regiões de Juiz de Fora vem se matando em decorrência das brigas de gangues, reflexo de um processo histórico de exclusão.
Por isso, a juventude precisa ser envolvida em projetos culturais e de valorização da vida, em espaços institucionais de tomada de decisão, em projetos e programas de prevenção da violência.
A elaboração desses espaços nas escolas é um dos nossos compromissos, tudo com ênfase na promoção de acolhimento e de oportunidades a jovens, a fim de erradicar essas mortes violentas de jovens.
TRANSPORTE PÚBLICO
O transporte público de Juiz de Fora é de péssima qualidade, ônibus sucateados, itinerários que não favorecem ao trabalhador e uma passagem de ônibus extremamente cara, aspectos que se mantem mesmo após recomendação feita pelos relatores da CPI dos ônibus.
A orientação da Comissão Parlamentar de Inquérito foi a de que uma nova licitação seja realizada, assim como seja realizada a manutenção adequada dos veículos e seja garantido proteção aos trabalhadores do transporte público urbano.
Ao contrário disso o que vivenciamos é um serviço cada dia mais precário em todos os aspectos, especialmente em relação aos direitos trabalhistas de motoristas e cobradores.
O que pretendemos é fiscalizar esses contratos, a fim de garantir aos rodoviários seus direitos de trabalhadores, tornar economicamente acessível o transporte público às famílias de baixa renda que não têm acesso à cidade, porque residem em territórios distantes do centro, locais com pouco ou nenhum acesso ao transporte público coletivo.
COLABORADORES

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VEM COM A GENTE?


MANIFESTO DE APOIO
Nosso país passa por um momento delicado com avanço da ultradireita, do autoritarismo e do conservadorismo. A pandemia do COVID-19, a eleição de Bolsonaro e Mourão, a retirada de direitos dos trabalhadores, ataques diretos a democracia e aos direitos e garantias fundamentais, assim como às minorias historicamente oprimidas como negros, indígenas, LGBTQI+ e mulheres é a conjuntura do Brasil e requer de nós coragem.
Em Juiz de Fora não é diferente, a recente greve da(o)s rodoviários ressaltou a situação precária vivida pelos cobradores e motoristas, assim como a progressiva desvalorização do magistério municipal, dos profissionais da saúde e a inabilidade do poder público em pensar políticas públicas, emergenciais e permanentes, para a classe trabalhadora.
A expectativa é a de que o desemprego aumente no período pós-pandemia e, como já é de conhecimento de todos, quem mais sofrerá somos nós, trabalhadores e trabalhadoras periféricos e, especialmente, mulheres negras que historicamente dedicam-se aos serviços de cuidados (babás, domésticas, cuidadoras de idosos).
O desemprego é apenas um dos desafios que enfrentaremos, por isso precisamos resistir, precisamos ser valentes, precisamos cuidar uns dos outros, precisamos pensar juntos políticas públicas que promovam a proteção e o bem-estar da população que produz a riqueza e sustenta a base dessa pirâmide, ou seja, precisamos proteger o trabalhador e a trabalhadora. Precisamos construir juntos e juntas uma cidade livre do racismo, do machismo, da lgbtfobia que matam todos os dias.
Nossa proposta é de um mandato coletivo, uma política pensada por nós para nós e o seu voto é só o início, porque o seu apoio e participação são necessários em todo o mandato para construção coletiva da cidade que queremos.
A política institucional É SIM PARA NÓS (pretos e pretas, pobres, mulheres, LGBTQI+, indígenas), porque somos nós que produzimos as riquezas desse país, somos nós a maioria esquecida pela classe política que só legisla em proveito próprio, ou seja, em favor de um grupo que que já detém a maior concentração de renda.
Quando abrimos mão de disputar esses espaços de poder e decisão, quando desistimos da luta, deixamos o caminho livre para que, imoralmente, parlamentares recebam auxílio moradia astronômicos enquanto os trabalhadores recebam auxílio emergencial de míseros R$ 300,00 (trezentos reais).
A mudança que queremos no Brasil começa em nossa casa, em nossa cidade, por isso é importante que você apoie propostas que contemplem a promoção da dignidade do trabalhador, das mulheres, o antirracismo, a anti lgbtfobia e demais pautas inclusivas, pois isso significa apoiar a vida. Portanto, é importante que você colabore para o processo eleitoral democrático e, sobretudo, fiscalize os seus candidatos e seus eventuais mandatos.
Assim, através desse manifesto declare seu apoio à candidatura coletiva composta por mim, Núbia Oliveira, e mais três companheiras de luta: a Dandara Felícia, a Leiliane Germano e a Maria Ângela Ferreira Costa. Dessa forma, propomos um jeito diferente de te representar na Câmara dos Vereadores de Juiz de Fora: nossa construção coletiva será em prol de uma educação antirracista, de enfrentamento a violência doméstica contra mulher, contra a lgbtfobia e a criação de políticas públicas para as mulheres, para a valorização das periferias da cidade e da juventude, da arte das nossas periferias, distribuição e manutenção de renda mínima, e acesso a saúde.
Este é o momento para a construção coletiva de um processo de mudança para a nossa cidade, assine o manifesto e declare seu apoio a nossa candidatura e seu desejo de mudança na Câmara Municipal de Juiz de Fora. Lembre-se: hoje há somente uma única mulher na Câmara Municipal e nunca teve uma parlamentar preta!
CONHEÇA NOSSA CAMPANHA DE FINANCEAMENTO COLETIVO!
QUALQUER AJUDA É MUITO IMPORTANTE PARA NÓS







